Livros, Resenhas

“O Bastardo da Rua 45” de Caio Fernando Cuellar

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Ás vezes, o passado é uma coisa que não conseguimos esquecer. E, ás vezes, o passado é algo que faríamos de tudo para esquecer. Mas, ás vezes, descobrimos algo novo sobre o passado que muda tudo o que sabemos do presente” (Shonda Rhimes, criadora de Grey’s Anatomy)

Preciso confessar, foi um dos melhores livros nacionais que já li em todo o meu tempo de leitor. Tem humor e muito, muito, muito drama, e muito sincero.

Recebi “O Bastardo da Rua 45” entrando em contato com o autor (melhor coisa do mundo é ter contato com o autor *-*), e confesso que, por causa de algumas prioridades literárias, tive que deixar de lado, só consegui começar a leitura na época da maratona literária. Comecei a ler numa segunda e terminei na quarta, recorde para mim.

Bem, vamos a história, um menino, logo no começo é abandonado pela mãe e deixado para a vó cuidar da criança, que fica horrorizada com a atitude da filha, a mãe deixa o filho e vaza. Nisso, têm-se o inicio de uma relação de neto e avó, a vó cuida do neto como mãe e pai, o amor surge e nutre de forma natural, porém chega num dia em que a vó percebe algo errado, toda vez que sai da casa do vizinho em frente, que é um amigo que conquistou nessas idas e vindas de criança, ele chega triste e infeliz, sua vó o questiona e ele revida a todos os questionamentos… O que ela não sabe é: o que aconteceu naqueles momentos que visita o amigo, pode mudar de uma vez por todas e corre o risco de uma única coisa que o neto tinha. A infância.

Numa outra parte,  Atellar está em seu apartamento em Curitiba, bem de vida, se formou em Medicina e especializou na Europa e recebe uma visita de uma amiga dos tempos áureos no exterior… que lhe dá uma péssima notícia: um amigo em comum e importantíssimo deles tem tempo marcado para falecer, ele tem câncer em estágio avançado e não quer fazer tratamentos para prolongar a vida, nisso ele vai ás pressas para o exterior. E, os erros do passado, chegam à tona de um modo irreversível e ainda abalam, mesmo depois de anos, os pilares da amizade dos três melhores amigos.

o livro tem um estilo que gostei muito, a cada capítulo é contado uma parte da vida do protagonista, uma na infância e outra durante a idade adulta e vai se intercalando até chegar no momento que duas histórias se juntam, esse recurso é, ás vezes confuso no começo, mas com certeza, passa mais informações do que seria no tempo cronológico ‘normal’.

Tenho que confessar que muitas vezes, os diálogos são diretos demais, mas não deixa de transparecer aquele sentimento que sempre sentimos nos nossos personagens literários, a simpatia e aquele momento que identificamos com eles… A história não é ‘fofinha’, ou com água com açúcar estilo comédia romântica da Katherine Heigl. Tem uma carga dramática muito grande nas tramas e muitas vezes toca assuntos sensíveis que nos faz parar para ler e esperar uns cinco minutos antes de absorver na leitura, tamanho impacto que me causou, principalmente na época da adolescência do protagonista. Pelo menos pra mim. Um dos capítulos mais marcantes é o 14, único capítulo com título, pois acontecem várias coisas boas nesse capítulos…

Uma coisa importante a dizer, o livro tem aproximadamente 134 páginas, mas não é curto, o tamanho dos capítulos e da fonte foi reduzida devido a política da editora, que é impressão por demanda, logo, o autor teria que pagar pela produção e impressão para depois vender. A edição e impressão é razoável mas confortável para a leitura apesar do tamanho diminuto das letras, mas dá para ser lido.

Devo dizer parabéns ao autor, por essa belíssima história, foi um dos mais marcantes e foi perceptível o seu talento para a escrita. Mais uma vez parabéns e muito obrigado por apresentar a sua obra. 😉

“Assim, movimento temporal, conhecimento de mundo, intertexto, metaforização, aliam-se a abandono, abuso sexual, morte, acolhimento, amor, sexo, reflexão sobre a vida, amizade, mistério, drama, humor e. juntos, compõem o mobiliário do romance. Convido o leitor a praticar o ato de concreto a que se refere Sartre para conhecer a mobília e entrar no jogo das palavras, do romance, da vida. A carta está posta: zap” Professor Doutor LEOSMAR APARECIDO DA SILVA (Professor Doutor em Linguística pela Universidade Federal de Goiás/UFG)

Para os interessados em adquirir, entrem em contato direto com o autor: https://www.facebook.com/cuellarcaio

Avaliação: * * * *

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